CAPLE – Centro de Avaliacao do Portugues Lingua Estrangeira

February 22, 2007

Na Europa o pessoal estah bem organizado no quesito “linguas estrangeiras”. Alem do orgao ALTE [Associação de Examinadores de Línguas Europeias (Association of Language Testers in Europe)], em Portugal tem o CAPLES:

http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/caple/principal.htm

Inclusive eles tem algumas coisas q nao sei por que cargas d´agua no Brasil ainda nem temos sinal:

Certificado e Diplomas de PLE

Os níveis de PLE são cinco, correspondendo a cada nível um certificado ou diploma:

CIPLE – Certificado Inicial de Português Língua Estrangeira
DEPLE – Diploma Elementar de Português Língua Estrangeira
DIPLE – Diploma Intermédio de Português Língua Estrangeira
DAPLE – Diploma Avançado de Português Língua Estrangeira
DUPLE – Diploma Universitário de Português Língua Estrangeira

Conteúdo da aula vs. Aula com conteúdo (pessoal)

February 22, 2007

Estou mudando minha maneira de ver o conteúdo de uma aula…

Até pouco tempo atrás, eu achava q dar uma boa aula era se ater ao conteúdo programado (gramática, vocabulário, expressões, assuntos para discussão dentro do tema) evitando ao máximo conversar sobre temas pessoais e “fugir do assunto”. Nisso, creio q a aula ficava um pouco “seca”, senão “impessoal” demais…

Não q eu evitasse qq explicação de gramática ou aprofundamento sobre expressões e práticas culturais – mas tentava ficar mais centrada no tema da aula mesmo.

Mesmo a maneira de falar, como explicar as coisas e conversar com o aluno, acho q antes eu tentava ser o mais simples possível, achando q assim ia deixar o aluno menos perdido por causa de menos novidade lingüística.

Hoje penso q uma boa aula de PLE (e de línguas estrangeiras em geral) necessita tocar em conteúdos culturais pessoais e gerais, para o aluno ter contato real com a vida como ela é. Se o aluno vem pra aula com o intuito de aprender uma língua ele deve poder ter contato com essa língua de modo mais natural possível, um recorte fiel da realidade. E isso só é possível se o professor atuar como um representante real da sua cultura, com vida própria e opiniões, experiências e desejos.

Contando sobre o próprio dia-a-dia, por exemplo uma viagem, o professor dá chance de o aluno ter contato com essa nova realidade através da visão de um “nativo” e da forma como é narrada tal experiência. Nada mais enriquecedor. Desde q bem dosado, claro.

Acho q eu me continha e simplificava muito a aula pois ficava com medo de exagerar num outro extremo, como jah vi muitos professores fazerem, q eh o de ficar contando pro aluno coisas sobre a própria vida e os problemas pessoais, num tipo de desabafo institucional (o aluno, respeitando a autoridade do professor, escuta passivamente essa lenga-lenga, e às vezes até acha normal pois está tendo uma aula de “conversação e compreensão oral”, hahah. Ou, o q nao eh raro, o aluno ouve essa enrolação toda, fica entediado ou irritado mas nao fala nada.)

Ainda tenho de aprender a dar aula e dosar o que eh instrutivo e o que eh “nutritivo” rs.

Nível 5 – aperfeiçoamento

January 3, 2007

Depois de estudar muito português e passar por todos os níveis (até o avançado), o aluno que desejar continuar seus estudos poderia fazer um curso de aperfeiçoamento.

Poderia ser um tira-dúvidas mais geral, ou um espaço para não perder a prática e conversar sobre assuntos variados, ou mesmo uma hora para se concentrar sobre determinado assunto da cultura ou da língua, como um certo livro, atualidades, etc.

Também poderia ser um curso mais específico sobre algum tema, como português nos negócios, uma área científica de interesse profissional ou pessoal do aluno, etc.

Nível 4 – avançado

January 3, 2007

Pronto! Agora o aluno teoricamente já tem na cabeça todo o conteúdo importante de gramática, um bom conhecimento de vocabulário e expressões, e uma boa bagagem cultural.

Porém, como no caso do aluno que terminou o básico, o aluno q passou o intermediário ainda não se sente muito à vontade com todo o conteúdo novo aprendido. Hora de mais uma espiral de retomada e avanço, com uma pequena diferença: agora é o aluno que vai determinar mais precisamente os rumos do seu aprendizado. Por exemplo, se o aluno se interessa mais por interação verbal, ele vai ver mais conteúdo em diálogos, sugestões de usos em situações ao telefone, ao vivo, etc. Se o interesse é mais pela parte escrita, entao podemos pensar num curso mais voltado para redação e estilo, além de compreensão e leitura de textos mais elaborados.

Isso pq mesmo o falante nativo não é especialista genérico na sua língua. Uma pessoa pode se expressar melhor verbalmente do q na escrita, ou gostar de ler mais do q ver tv. E cada mídia e cada forma de expressão têm as suas ferramentas e convenções que devem ser apreendidas consciente ou inconscientemente.

Calculo que esse nível possa ser feito entre 40h-80hs, dependendo das dificuldades e interesses do aluno.

Nível 3 – intermediário

January 3, 2007

[uau, e pensei q não estivesse com inspiração pra escrever hj… rs]

Depois de entrar em contato com o curso introdutório, o nível básico e o reforço do nível pré-intermediário, é de se esperar que o aluno consiga se expressar razoavelmente bem, entenda textos e diálogos simples e consiga se virar no Brasil.

Hora de aprender mais gramática, adquirir mais vocabulário e começar a ver expressões e palavras mais específicas de determinados assuntos (política, economia, cultura e socidade, por ex.). Textos simples e curtos de jornal já não devem ser tão enigmáticos para o aluno.

Uma introdução (não um curso extensivo sobre o assunto, veja bem) sobre os subjuntivos vai bem aqui. E também sobre o uso dos nossos variados pronomes. Mesmo que não use ativamente, o aluno tb já pode ser capaz de sistematizar e reconhecer todos os verbos irregulares importantes.

Teoricamente, concluído este nível, o aluno já estará capacitado a se comunicar relativamente bem, organizar idéias mais complexas e entender mesmo quando uma pessoa falar um pouco mais rápido e não tão claramente.

Imagino uma duração de cerca de 60hs-aula para este nível.

Nível 2 – pré-intermediário

January 3, 2007

[continuando os tópicos sobre a organização de um curso de PLE]

Pra que um nível PRÉ-intermediário? Pq não entrar direto no intermediário?

Na minha opinião, o aprendizado inicial de uma língua estrangeira é uma coisa mais complexa do q simplesmente entender e memorizar um monte de vocabulário e regras gramaticais. O aluno que não consegue compreender muita coisa do que as pessoas falam no cotidiano (e, pior ainda, na tv e no rádio), e que não consegue se expressar bem (sente-se “travado” ou sentindo falta de saber mais palavras) não vai melhorar muito só de estudar mais gramática e ler textos mais complexos, o q seria passar para o nível intermediário.

Acho q depois do básico, é hora de desacelerar as novidades e ver “mais do mesmo”. Não é preciso fazer uma revisão tintim por tintim do q já foi visto no básico. Sugiro uma aproximação em espiral, ou seja, retomando o conteúdo do básico, somando com mais algumas novidades, dar alternativas de uso de expressões e vocabulário para as mesmas situações, praticar a q se aprendeu, agora de modo mais natural e individual.

À essa altura do campeonato, o aluno já deve ter algumas preferências pessoais quanto ao uso de determinadas situações e padrões de comportamento e polidez. Tb já deve se interessar por certas coisas da cultura brasileira, como música de determinado artista, uma novela q está no ar, um programa de tv, uma revista…

Ao meu ver, o nível pré-intermediário seria um período de aprofundamento do nível básico e de introdução conteúdo do nível intermediário. Mais vocabulário prático, uma análise de usos um pouco mais flexível das estruturas da frase, um pouco mais de gramática (por ex. o uso de particípios, futuro do pretérito, introdução ao pretérito mais-que-perfeito), mais alguns verbos regulares e irregulares, mais prática de pronúncia e compreensão oral em velocidade normal de conversação, mais informações sobre expressões verbais, provérbios, gírias, essas coisas.

Um aluno que domina o conteúdo do básico, na verdade já tem todas as condições de se virar com a língua. O problema é que o aprendizado racional nem sempre significa um aprendizado real, em que o aluno usa naturalmente os recursos da língua q está aprendendo. Muitos precisam de um tempo de acomodação desses conteúdos, e nada melhor do que fazer essa retomada do que já foi aprendido juntamente com uma “vitaminada” a mais.

No nível pré-intermediário, o aluno já tem condições de fazer a aula integralmente em português. Explicando com palavras simples, mesmo o conteúdo gramatical mais complicado não vai ser tão difícil de ser entendido. Ou seja, aqui a tradução só entraria como um complemento em situações muito necessárias, como a explicação de uma idéia ou sentimento extremamente complexo, o que na verdade raramente é tão necessário de ser expresso nesse momento.

Como conteúdo nesse nível, nada melhor do q mais diálogos, textos curtos, letras de música não muito complexas, trechos em vídeo, etc. e muita prática seja em aulas práticas na programação de aula, seja durante a vivência do próprio aluno em seu dia-a-dia.

Esse nível poderia ser dado em 40h-80h, dependendo das dificuldades do aluno, seus interesses, etc. O aluno q precisar de mais revisão e prática deve poder escolher ter mais aulas nesse nível antes de passar pro intermediário, onde as coisas só têm a complicar.

Nível 1 – básico

January 3, 2007

[continuando o tópico anterior, agora sobre o nível básico]

Com ou sem o nível introdutório, o aluno iniciante poderia cursar o nível básico sem necessitar de qualquer noção prévia do idioma. Para isso, poderia haver um livro com conteúdo “neutro”, para um aluno “universal”, seja ele da nacionalidade que for. Já existem muitas publicações especiais para falantes de espanhol, inglês, chinês, alemão… Mas sinto falta de um livro mais “genérico”.

[Hum… seria engraçado pensar num material para um ser de outro mundo, que não soubesse nada de nenhuma língua, muito menos de português rs. Mas isso é outra história…]

O nível básico seria o início de um contato mais estruturado do estrangeiro com a língua portuguesa. Junto com noções de gramática, fonética, léxico, sintaxe e outros assuntos lingüísticos, as lições apresentariam um pouco da cultura brasileira, tanto de comportamento como de pensamento, além de informações sobre história, geografia, sociedade, artes, esportes, folclore, etc.

[hum… seria legal ter uma agenda cultural, com datas e eventos típicos da nossa terra, e com informações em quadrinhos bem sintéticos, com fotos, dados resumidos… Poderia ser usado como complemento às aulas, seguindo a seqüência temporal da agenda (do dia 1o de janeiro ao 31 de dezembro), ou seguindo as datas aproximadas junto com o dia das aulas.

Quando eu fiz uns módulos na Cel-Lep, lembro q ganhamos uma agenda que tinha citações de famosos, dicas de gramática e expressões, comentários sobre a cultura dos povos falantes de inglês, etc. Era bem legalzinha.]

Bom, essa parte não lingüística poderia vir como material complementar, claro. Mas para ter um curso completo, acho q não pode faltar essa parte.

Quanto ao conteúdo de língua mesmo, acho q dá pra adotar como referência a base do sistema de avaliação de outras línguas, como inglês, espanhol, alemão, etc: concluído o básico, o aluno deve ser capaz de travar conversas simples e cotidianas, falar um pouco de si, entender quando uma pessoa fala devagar e usando palavras simples, e deve ser capaz de se virar no dia-a-dia sem grandes problemas.

Acho q seria possível chegar num vocabulário de cerca de 2000 palavras, principais verbos irregulares e regulares no presente, pretérito perfeito e imperfeito, futuro composto, formas do gerúndio, imperativo formal e informal, e principais estruturas sintáticas.

O nível básico poderia ser subdividido em 3 ou 4 módulos (ou mais, talvez), com avaliações constantes sobre o desempenho do aluno tanto em compreensão como em expressão (oral e escrita).

Nesse nível, acho q seria possível, e talvez até desejavel, q as aulas fossem 100% em português. No entanto, não sou totalmente contra a tradução. Acho q dependendo do aluno e da situação, traduzir o conteúdo e as explicações facilitam bastante o aprendizado da língua. Basta não usar a tradução como muleta eterna, e deixar claro q as línguas tem muitas peculiaridades q a tradução pode muitas vezes deixar passar batido.

A duração desse nível seria de cerca de 60hs-aula.

Nível 0 – introdutório

January 3, 2007

Ai ai… depois de um tempinho de férias, de volta ao trabalho…

Vou dar duas aulas para um aluno iniciante, hoje e amanha, começando do zero. Adoro alunos basicos q não sabem nada. Tudo eh novidade, a gente pode traçar tantos planos de estudo, ver o q interessa pra ele, apresentar um novo mundo…

Um grande problema q existe para o aluno iniciante é q há uma falta de material didático apropriado. A grande maioria dos livros já entra com um conteúdo pesado, como se todos os estrangeiros fossem hispânicos ou já tivessem alguma noção de português. E muitos livros querem abarcar o conteúdo do básico até o intermediário numa publicação só.

Por outro lado, a falta de material apropriado permite q o professor fique livre para escolher a forma de ensinar o conteúdo básico e introdutório.

Eu fiz umas apostilinhas introdutórias, e sempre uso algumas folhas com os alunos. Mas falta ainda organizar tudo direitinho e fazer mais conteúdo para transformar numa apostila de verdade.

Acho q todo aluno iniciante poderia ter algumas aulas introdutórias tanto de língua como de cultura brasileira. As explicações sobre a cultura poderiam ser ministradas no idioma dele, ou em alguma língua q ele entendesse bem. Já as aulas introdutórias de língua poderiam ser parte em português, parte na língua dele. Acho q na situação de entrar em contato inicial com uma nova língua, algumas coisas têm de ficar bem claras, por exemplo, em que situações pedir desculpas, falar “por favor”, como tratar as pessoas (usando “o senhor”, “a senhora”, “você”, etc.), etc.

No nível introdutório, o mais importante seria um contato saudável com esse novo universo cultural e lingüístico. Como ter aulas de etiqueta quando a gente vai pra um país diferente, por ex. Não há necessidade de falar a língua para se virar relativamente bem em algumas situações típicas.

Nesse nível, o aluno seria capaz de fazer atividades cotidianas, como fazer compras, pegar ônibus/metrô/táxi, pedir informações na rua (como chegar a algum lugar), mesmo sem entender as estruturas gramaticais ou cada vocabulário. Acho q é perfeitamente possível se virar com um guia de conversação, desde q o aluno tenha algumas noçoes prévias de polidez e convenções sociais locais.

Para esse nível introdutório, creio q poucas aulas já bastariam (1h ~ 5hs de aula).

O conteúdo seria baseado em situações gerais e específicas. Seria interessante ter um conteúdo escrito para o aluno consultar, com exemplos e diálogos possíveis, e uma apresentação em vídeo para melhor compreensão e fixação. Ambos com tradução e explicações na língua do aluno. Para praticar, poderiam haver simulações de situações, com o complemento de aulas práticas.

Rascunhos

January 3, 2007

Enquanto nao decido o layout e organizacao do site, vou postando uns rascunhos e anotacoes…

Feliz 2007!

^_^