Nível 2 – pré-intermediário

[continuando os tópicos sobre a organização de um curso de PLE]

Pra que um nível PRÉ-intermediário? Pq não entrar direto no intermediário?

Na minha opinião, o aprendizado inicial de uma língua estrangeira é uma coisa mais complexa do q simplesmente entender e memorizar um monte de vocabulário e regras gramaticais. O aluno que não consegue compreender muita coisa do que as pessoas falam no cotidiano (e, pior ainda, na tv e no rádio), e que não consegue se expressar bem (sente-se “travado” ou sentindo falta de saber mais palavras) não vai melhorar muito só de estudar mais gramática e ler textos mais complexos, o q seria passar para o nível intermediário.

Acho q depois do básico, é hora de desacelerar as novidades e ver “mais do mesmo”. Não é preciso fazer uma revisão tintim por tintim do q já foi visto no básico. Sugiro uma aproximação em espiral, ou seja, retomando o conteúdo do básico, somando com mais algumas novidades, dar alternativas de uso de expressões e vocabulário para as mesmas situações, praticar a q se aprendeu, agora de modo mais natural e individual.

À essa altura do campeonato, o aluno já deve ter algumas preferências pessoais quanto ao uso de determinadas situações e padrões de comportamento e polidez. Tb já deve se interessar por certas coisas da cultura brasileira, como música de determinado artista, uma novela q está no ar, um programa de tv, uma revista…

Ao meu ver, o nível pré-intermediário seria um período de aprofundamento do nível básico e de introdução conteúdo do nível intermediário. Mais vocabulário prático, uma análise de usos um pouco mais flexível das estruturas da frase, um pouco mais de gramática (por ex. o uso de particípios, futuro do pretérito, introdução ao pretérito mais-que-perfeito), mais alguns verbos regulares e irregulares, mais prática de pronúncia e compreensão oral em velocidade normal de conversação, mais informações sobre expressões verbais, provérbios, gírias, essas coisas.

Um aluno que domina o conteúdo do básico, na verdade já tem todas as condições de se virar com a língua. O problema é que o aprendizado racional nem sempre significa um aprendizado real, em que o aluno usa naturalmente os recursos da língua q está aprendendo. Muitos precisam de um tempo de acomodação desses conteúdos, e nada melhor do que fazer essa retomada do que já foi aprendido juntamente com uma “vitaminada” a mais.

No nível pré-intermediário, o aluno já tem condições de fazer a aula integralmente em português. Explicando com palavras simples, mesmo o conteúdo gramatical mais complicado não vai ser tão difícil de ser entendido. Ou seja, aqui a tradução só entraria como um complemento em situações muito necessárias, como a explicação de uma idéia ou sentimento extremamente complexo, o que na verdade raramente é tão necessário de ser expresso nesse momento.

Como conteúdo nesse nível, nada melhor do q mais diálogos, textos curtos, letras de música não muito complexas, trechos em vídeo, etc. e muita prática seja em aulas práticas na programação de aula, seja durante a vivência do próprio aluno em seu dia-a-dia.

Esse nível poderia ser dado em 40h-80h, dependendo das dificuldades do aluno, seus interesses, etc. O aluno q precisar de mais revisão e prática deve poder escolher ter mais aulas nesse nível antes de passar pro intermediário, onde as coisas só têm a complicar.

One Response to “Nível 2 – pré-intermediário”

  1. Ingrid Says:

    Sou professora de português e estou procurando um material nesse nível para dar aula de português para uma argentina.
    Como posso comprar esse material?
    Obrigada, Ingrid.

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